Transtornos de aprendizagem

O que é um Transtorno de aprendizagem?

O Transtorno de Aprendizagem é uma condição que afeta a forma como o cérebro processa a informação e dura a vida toda, ou seja, não tem cura, mas pode ser tratada. Esse problema nas “conexões cerebrais” faz com que a pessoa tenha dificuldade de receber, compreender, memorizar e comunicar a informação dada a ela. Crianças com essas dificuldades não são preguiçosas, muito menos burras; elas geralmente são criativas e brilhantes em outras áreas.

As crianças com Transtorno de Aprendizagem dever passar por exame oftalmológico?

Sim, na suspeita de um Transtorno de Aprendizagem, as crianças devem ser avaliadas por oftalmologista, assim como otorrinolaringologista e outros especialistas, numa abordagem multidisciplinar.
Isso porque as crianças com Transtornos de Aprendizagem podem apresentar, paralelamente, alterações de visão, como estrabismo ou a necessidade de óculos. Corrigir essas alterações trata-se de passo inicial para então iniciar estimulação dessas crianças.

O que é a Dislexia?

A Dislexia é o Transtorno de Aprendizagem mais comum e está relacionado à dificuldade na leitura. Pessoas com dislexia apresentam dificuldade em separar os sons das sílabas, em memorizar palavras e nomear objetos com rapidez. Isso leva a problemas na pronúncia e reconhecimentos das palavras e compromete a fluência na leitura.

Quais fatores de risco para Dislexia?

Entre os fatores de risco para Dislexia estão: parentes próximos com histórico de Transtornos de Aprendizado, exposição a drogas e álcool durante a gestação, prematuridade, baixo peso ao nascer e problemas neurológicos.

Quais os sinais de Dislexia?

Nas crianças pré-escolares, os sinais incluem atraso no desenvolvimento, problemas na audição e/ou fala, dificuldade de aprendizado do nome de cores e formas, dificuldade de memorização, dificuldade de colorir ou cortar, entre outros.
Nas crianças em idade escolar, os sinais incluem a dificuldade em aprender letras e sons, leitura e/ou escrita lenta, dificuldade com matemática e problemas com memorização ou atenção.

A Dislexia é um problema dos olhos ou da visão?

Não, a Dislexia não é uma alteração na visão. Problemas visuais não causam Dislexia, nem são mais comuns em pessoas com Dislexia. Crianças com Dislexia não veem de “trás-pra-frente” e não tem problema no rastreamento com os olhos. O fato de pular palavras ou linhas acontece pela dificuldade na decodificação das palavras, na compreensão delas, na atenção e memorização.

Fonte: American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus (AAPOS)

O que é a Síndrome de Irlen?

A existência desta síndrome é controversa e muitos acreditam que ela não exista por falta de embasamento científico para seu diagnóstico e tratamento (Conselho Federal de Medicina – CFM; Academia Americana de Oftalmologia -AAO). A síndrome de Irlen (ou Síndrome de Meares-Irlen, Síndrome de Sensibilidade Escotópica ou Estresse Visual) é, supostamente, um transtorno de processamento da informações visuais. Muitas das pessoas diagnosticadas como Síndrome de Irlen apresentam outras alterações já bem estabelecidas como distúrbios na visão binocular (entre eles, insuficiência de convergência, forias descompensadas, estrabismo) ou transtorno de aprendizagem, como a Dislexia.

Terapia visual e óculos com filtros coloridos melhoram a visão de pessoas com Dislexia ou Síndrome de Irlen?

Como a Dislexia e a chamada Síndrome de Irlen não são problemas visuais, exercícios ortópticos, terapia visual ou lentes com filtros coloridos não aprimoram o aprendizado da leitura nessas ou em quaisquer outros Transtornos de Aprendizado. Seu uso, por outro lado, pode levar à falsa sensação de tratamento, ao gasto financeiro excessivo e pode protelar a adoção de tratamentos baseados em evidências.
A principal via visual responsável pela leitura (via Magnocelular) é insensível a cores e ao espectro luminoso, portanto, um filtro de cores não implicaria em qualquer melhora nas funções visuais de leitura. Além disso, o uso de filtros leva à redução do contraste e, portanto, dificultaria a leitura e não o inverso.