Estrabismo

O que é Estrabismo?

Geralmente, os olhos miram para frente, mantendo-se paralelos entre si. O Estrabismo consiste no desalinhamento dos olhos por desequilíbrio entre os músculos oculares. A maioria dos casos tem início na infância, mas também pode ocorrer durante a vida adulta.

Em uma sociedade que valoriza a aparência, essa alteração pode influenciar nosso comportamento e auto-estima.

Criança com esotropia (desvio de um dos olhos em direção ao nariz)

Criança com esotropia (desvio de um dos olhos em direção ao nariz)

Quais os tipos de Estrabismo?

O tipo mais comum é a esotropia ou desvio dos olhos em direção ao nariz, mas há também a exotropia ou desvio dos olhos para fora e ainda os desvios verticais, quando um olho fica mais alto do que o outro.

Adultos podem apresentar estrabismo?

Sim, os adultos podem apresentar estrabismo.
Cada vez mais pacientes adultos apresentam estrabismo e procuram tratamento para o mesmo. Isso acontece pelo envelhecimento da população, há uma maior parcela de adultos, além de uma maior incidência de doenças que estão associadas indiretamente ao estrabismo. Pressão alta e diabetes, por exemplo, podem levar a paralisias dos músculos oculares e, consequentemente, ao estrabismo. Há também uma preocupação maior com a aparência e pessoas, que antes não procuravam tratamento ou desconheciam que o estrabismo pudesse ser tratado, agora procuram tratamento com maior frequência.

Quais as causas do Estrabismo?

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Criança com exotropia (desvio de um dos olhos para fora)

A causa da maioria dos desvios infantis ainda é desconhecida. Podem ter origem genética, porém sem padrões de herança bem definidos ou serem casos isolados na família. Podem ser desencadeados por alteração de grau como hipermetropia ou baixa visão em um dos olhos; por doenças neuromusculares, como paralisia cerebral, Síndrome de Down ou ainda outros quadros como prematuridade, traumas ou tumores cranianos.

No adulto outras causas podem causar estrabismo, como Miastenia Gravis, hipertireoidismo e doenças vasculares.

Quais os sintomas do Estrabismo?

Os sintomas variam a depender da idade de aparecimento do desvio. Quando este surge durante o desenvolvimento visual, ou seja, até cerca de 7 anos, existem mecanismos de adaptação. Assim, a criança não tem queixas como visão dupla (diplopia), mas podem atrapalhar o desenvolvimento da visão no olho desviado.

Após essa idade, o estrabismo pode associar-se à diplopia, dor de cabeça, tontura ou torcicolo.

Quais os prejuízos que o estrabismo traz ao desempenho visual?

Além da alteração na aparência, o estrabismo compromete a desempenho visual, seja em crianças ou adultos. Isso acontece, pois 84% das informações analisadas pelo nosso cérebro (processadas pelo córtex visual) tem origem binocular (Hubel & Wiesel, 1962), ou seja, depende da informação simultânea de ambos os olhos. A informação de ambos olhos só é simultânea, quando não há estrabismo.

Os olhos alinhados (sem estrabismo) permitem a percepção do espaço e da visão de profundidade, popularmente chamada de visão 3D. Assim, a pessoa com estrabismo perde a orientação espacial (pode, por exemplo, colocar a água fora do copo), perde o julgamento de profundidade (não tem a capacidade de ver em 3D), não consegue ver o posicionamento claro dos objetos (pode confundir degraus com cores de pisos diferentes e estar sujeita a quedas) e também apresenta alterações na leitura.

Como evolui o Estrabismo?

Antes dos 4 meses de idade, os olhos podem desviar eventualmente, por períodos de tempo curtos. Isso porque seu sistema neurovisual é ainda imaturo. Após essa idade, qualquer desvio ocular freqüente ou permanente é estrabismo, não melhora sozinho e precisa de tratamento oftalmológico.

Como se trata o Estrabismo?

O estrabismo tem tratamentos de acordo com o tipo e causa do desvio. Alguns são corrigidos apenas com o uso de óculos e outros necessitam de cirurgia. Atualmente, em alguns casos, o tratamento pode também ser realizado com aplicação de toxina botulínica, o botox.

O estrabismo no adulto tem tratamento?

O estrabismo no adulto pode ser tratado com prismas, toxina botulínica (por exemplo o Botox®) e com cirurgia, assim como fazemos nas crianças. Porém no adulto, pode-se usar a sutura ajustável durante a cirurgia. Neste caso, o cirurgião faz a cirurgia normalmente, porém ao invés de deixar um nó definitivo, que determina a posição final dos olhos, ele deixa um nó ajustável. Desta forma, após a cirurgia, o paciente é examinado e avalia-se se há ainda estrabismo; se houver, pode-se modificar a posição do nó para corrigir o estrabismo, adequando a cirurgia para a resposta de cada paciente. Com a sutura ajustável, aumenta-se a precisão do tratamento. O ajuste pode ser realizado na sala de cirurgia ou no consultório, após a cirurgia.

O que é Ambliopia?

Ambliopia é a redução de visão, mais comumente em um dos olhos, sem associação com alteração estrutural do olho (como catarata, por exemplo).

Ambliopia tem cura?

A ambliopia pode ser curada desde que o tratamento tenha início precoce, preferencialmente antes dos 2 anos. Por essa razão, o estrabismo é uma urgência e deve ser avaliado o quanto antes por um oftalmologista especializado em crianças.

Além disso, todas as crianças devem ser avaliadas por um oftalmologista em torno de um ano de idade mesmo que não haja nenhuma queixa ocular, pois existem alterações que não são percebidas por não especialistas, mas são suficientes para causar ambliopia.

Como se trata a Ambliopia?

O tratamento visa estimular o olho com baixa visual, conhecido popularmente como “olho preguiçoso”, através da oclusão, ou seja uso de tampão no olho bom. Esse tratamento deve ser monitorizado pelo oftalmologista e anteceder a correção cirúrgica do estrabismo.

E se a Ambliopia não for tratada cedo?

Após os 7 anos o tratamento da ambliopia é pouco eficiente e dificilmente pode curá-la. Nesse momento, passa-se a correção cirúrgica do desvio ocular.

A cirurgia é fundamental para evitar problemas emocionais e de auto-estima na criança e também no adulto.